Economia – Visão prática

 

Escrever sobre Economia sempre provoca o conhecimento acadêmico, porém, precisamos tentar entender o lado prático do que acontece com o Mundo pela visão econômica.  

O principal movimentador da economia é o comércio.
Os países compram ou vendem os produtos que beneficiam (simplesmente).
Alguns fatores provocam reações adversas nos países sejam por inflação ou deflação.  

O Brasil está surpreso com uma situação nova, comparando com o que vivenciava no início da década passada, “inflação por demanda”.
A “inflação por demanda” no nosso caso tem duas variáveis básicas:

·   O mercado nacional compra mais do que a capacidade de produção instalada, os preços sobem;

·   O mercado mundial importa nossos produtos a preços melhores que os praticados internamente.

Outros fatores também são importantes e podem ser relevados: taxa de câmbio, subsídios internos (China, EUA, etc.).

Na verdade, esta situação foi criada pela nossa economia, e essencialmente pela falta de planejamento. 

O Brasil exerceu extremo esforço em debelar a inflação e esqueceu as consequências que poderiam advir da política econômica adotada. 

O governo e os empresários buscaram novos mercados, inclusive os emergentes, que é o caso da China.
Realizou excelentes acordos comerciais, fortaleceu a sua balança comercial com saldo acumulado desproporcional.
O governo brasileiro investiu internamente de forma desmedida e desproporcional, hoje a reconhecida e incontestável motivação política.
Enfim, cresceu, porém, cresceu sem planejamento de médio e longo prazos.

O governo errou quando manteve as projeções das taxas de juros referenciais, agindo de forma a diminuir ou aumentar, conforme os indicadores de curto prazo.
Ora, esta é a pior forma de administrar a economia, que é a pela via monetária, ou seja, burocratas de governo agem no controle da inflação através do controle da demanda pelas taxas de juros projetadas.
Este modelo está comprovadamente equivocado, tomando-se por base o modelo da economia de mercado.
A economia de mercado é muito mais eficiente e exige esforço de todos os setores do mercado nacional, e acima de tudo inteligência econômica de longo prazo, o que nunca foi o nosso caso.
O caminho do controle da inflação pelo viés do mercado exige a presença dos atores econômicos produtivos e do governo em reduzir a sua participação tributária e o seu custeio operacional.
Esta posição é difícil em termos políticos porque os créditos são de longo prazo, e os nossos governantes não tem esta cultura no mínimo.
A presença do setor produtivo (empreendedores) no planejamento econômico também é difícil, porque o governo seria exigido em relação a sua ação de redução da carga tributária e de custeio da máquina.

Estamos um pouco mais felizes, porém, somos responsáveis pela inflação (por demanda).
A economia cresceu porque os nossos empresários foram competentes ao buscarem novas oportunidades no mercado.
A consequência foi o aumento de empregos e oportunidades de trabalho e renda.
O sistema financeiro abastecido de dinheiro pode financiar o crescimento das empresas e de novos empreendedores. A medida que isto foi acontecendo, o número de consumidores cresceu.

O crescimento dos consumidores também está relacionado pelo volume de recursos oferecido para financiar o crédito.

Os prazos de financiamento que em média eram de 10 meses, passou para 20 meses. Veículos são financiados a prazos maiores do que 60 meses.

Novo erro da política econômica brasileira: com as taxas de juros pré-fixadas muito altas em comparação com outros países, principalmente aos EUA, atrai investidores voláteis em massa, aumentando de forma exagerada a liquidez monetária (dinheiro disponível para circular no país).
Na economia de mercado os investidores externos qualificados buscariam investimentos na produção industrial e de serviços com retorno de longo prazo. Além do que, os empresários buscariam recursos externos para financiar as suas atividades, sejam para ativos fixos como para capital de giro. Sendo a justificativa a falta de poupança interna; o que seria temporário. Porque, na economia de mercado o investimento interno está localizado, porém, as vias de financiamento não tem endereço.

Para que isto aconteça, para que haja mudança na política econômica de forma competente é preciso coragem, esquecendo os dividendos políticos.

Autor: Jorge Canal Michalski